Vocês conhecem a história de São Lucas, o médico de homens e de almas? São Lucas lançou um desafio a Deus por rejeitar a morte e o sofrimento que doenças graves, incuráveis, causavam à pessoa doente e a todos à sua volta. Este desafio foi sua grande motivação para o exercício da medicina: enquanto Deus mandava a morte para as pessoas ele, São Lucas, lutaria para dar a vida às pessoas. Lutaria para tirá-las das garras da morte. Para ele, Deus não amava os homens, não tinha compaixão e impingia a eles um sofrimento desumano, como o que passou quando a morte levou, através de uma grave doença, o grande amor de sua vida. É uma história bonita que culmina com a conversão do desafiante, conversão que o levou a devotar o resto da vida a propagar, entre os homens, sua fé em Jesus Cristo.
Pois bem, dia desse eu li o relato de um senhor que recebeu o diagnóstico de uma doença considerada fatal. Alimentado por sua fé, ele ora para que seja feita a vontade de Deus: que se sua cura e permanência por um tempo maior neste mundo não estiverem na programação divina, então ele apenas espera que Deus lhe de forças para continuar até o fim. E assim, fortalecido por sua fé, na certeza de que esta amparado pelos cuidados do Pai, ele encara com certa serenidade sua situação.
Segundo alguns estudos científicos, a qualidade de vida de pessoas portadoras de alguma doença grave, mas que tem uma forte fé religiosa, é melhor do que a qualidade de vida de pessoas portadores de alguma doença grave e que não tem nenhum tipo de fé. As estatísticas mostram que a fé pode ser uma forte aliada nos processos de cura e até reversão de quadros críticos. Pessoas com fé se recuperam melhor, saem mais rápido das crises e chegam, às vezes, a surpreender os médicos quanto ao prognóstico do tempo de vida. Então a fé, alimento da alma, parece ser um importante fator coadjuvante no tratamento de doenças de todas as naturezas.
As religiões variam quanto às idéias que professam, tais como vida eterna; paraíso; várias moradas do Senhor; o sagrado descanso; os resgates necessários ao crescimento e evolução do espírito, que se dariam (ou se dão) através de vidas sucessivas, etc, mas, basicamente, todas elas tem Deus como o centro de sua fé. Todas elas pregam que há um sentido maior para tudo o que nos acontece na vida, mas que hoje foge à nossa compreensão. Todas acreditam na máxima Deus sabe o que faz!
Quando se trata de doenças, tanto as ciências quanto as religiões desejam encontrar o caminho da cura: cura para o corpo, cura para a alma, cura para o espírito, cura para todas as dores humanas, físicas e/ou psicológicas.
Pelo caminho religioso, portanto, a fé pode ser uma grande aliada que ajuda a abrir as portas do que talvez haja de melhor no ser humano: a capacidade de acreditar e confiar. No caso, acreditar que tudo na vida tem sua razão de ser e confiar que um dia esta razão será conhecida.
Agora, o desenvolvimento da fé adulta não se dá por mágica. A mágica compete ao mundo infantil. O desenvolvimento da fé adulta requer, em primeiro lugar, investimento em reflexões e a aceitação de que, com toda a evolução científica, nós, decididamente, não damos conta de explicar tudo.
Como o diz o velho ditado, há muito mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia. Eu acrescento, e nossa prepotência.
Então, se não nos é possível evitar doenças e morte, talvez seja uma opção enfrentá-las fazendo uso de nossa fé em Deus, a fé capaz de nos acolher em nossa fragilidade como proteção de mãe que, acordada, vela as aflições do filho angustiado.
Até mais
Gláucia Telles Sales
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