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   O QUE É PRECISO SABER
 


OPÇÕES DE TRATAMENTO

    Uma vez diagnosticada a existência do mieloma, o primeiro passo a ser dado no tratamento é avaliar a doença na pessoa. O mieloma afecta cada um de forma diferente e assim os médicos definem um plano de tratamento adequado para cada doente.

   Para pessoas com mieloma assintomático (exames indicaram a presença de mieloma, mas o doente não tem sintomas de doença activa – o chamado mieloma indolente). Não existe, até o momento, tratamento que o impeça de entrar em actividade, portanto normalmente é feito um acompanhamento regular da doença.

    Poderá ser prescrito um medicamento chamado Bifosfonato (veja a definição abaixo), a qual ajuda a prevenir lesões ósseas, mas que, aparentemente, não impede a evolução da doença.

    O mieloma pode permanecer indolente por vários anos. No entanto, é importante que os doentes sejam regularmente acompanhados, para que ao primeiro sinal de evolução da doença, sejam tomadas as medidas adequadas.

   A finalidade do tratamento é fazer com que o doente se sinta melhor, que o seu organismo funcione de maneira mais saudável, isto é, fazê-lo levar a vida o mais normal possível. O tratamento também deve controlar os efeitos da doença no funcionamento normal do corpo, ao reduzir a velocidade destes efeitos ou pará-los temporariamente. Os tratamentos de reabilitação podem durar meses ou até anos.

Lembre-se:
Decidir sobre o tratamento é a primeira acção importante.
Como já foi enfatizado, a avaliação inicial, o acompanhamento dos estádios evolutivos e a determinação do prognóstico são essenciais.
O tratamento é recomendado para mieloma activo ou sintomático.
A urgência do tratamento depende do diagnóstico de cada doente.

Tipo de Tratamento
Objectivo
Exemplos
Tempo para decidir
Estabilização
Combater as alterações bioquímicas e imunológicas que apresentem riscos de vida
Plasmaferese para diluir o sangue e evitar derrame cerebral, hemodiálise quando a função renal estiver comprometida. Medicamentos para reduzir a hipercalcemia (pode incluir quimioterapia)
Horas a dias
Paliativo
Aliviar o mal estar e possibilitar uma vida normal ao doente
Irradiação para interromper a destruição óssea. Eritropoetina para diminuir a anemia. Cirurgia ortopédica para as fracturas ósseas ou reforço da estrutura óssea
Dias a meses
Indução à remissão
Melhorar os sintomas, retardamento ou interrupção do curso da doença
Quimioterapia para matar as células malignas do corpo todo. Irradiação para eliminar as células malignas no local do tumor
Semanas a meses
Cura
Resposta permanente*
Transplante de células progenitoras hematopoiéticas ( ou medula óssea) como forma de administrar quimioterapia em altas doses
Semanas a meses

*Embora nunca tenha sido obtida nem confirmada, a resposta permanente continua a ser o objectivo de muitos tratamentos experimentais.

- Tratamento Inicial ou de Primeira Linha

     É importante que o doente reserve bastante tempo para discutir as opções com o seu hematologista ou oncologista. Além dos resultados dos exames iniciais, os pontos a serem considerados são:
Qual é o impacto do mieloma nas actividades do quotidiano?
O doente conseguirá trabalhar? Já está tudo planificado para que se possa ausentar do trabalho quando for necessário receber o tratamento?
Qual é a idade do doente? Há outros problemas clínicos?
O doente é capaz de tolerar a quimioterapia?
A quimioterapia em altas doses com transplante de células progenitoras hematopoiéticas é uma opção?

TERAPIA DE PRIMEIRA LINHA
VANTAGENS
DESVANTAGENS
VAD (Vincristina / Adriamicina / Dexametaso-na)
• Promove resposta em 70% dos pacientes.
• Não danifica as células progenitoras Hemato-poiéticas normais.
• Pode ser a base para o transplante.
• Requer a introdução de um cateter central para administração IV. O cateter pode ser responsável por infecções e complicações de coagulação sanguínea
• A vincristina pode causar toxicidade nervosa.
MP (Melfalan / Prednisona)
• Administrado por via oral.
• Bem-tolerado.
• Promove excelente resposta em cerca de 60% dos pacientes.
• Os médicos estão bastante familiarizados com o protocolo.
• Pode lesar as células progenitoras hematopoiéticas da medula óssea e, com isso, reduzir as hipóteses de sucesso do transplante
• Para obter o efeito máximo demora vários meses
• Não é ideal se for necessária uma resposta imediata e/ou se estiver prevista a realização de um transplante de células progenitoras hematopoiéticas
Dexametasona:
• Dexametasona sozinha Dexametasona sozinha, em pulsos, é responsável por uma percentagem considerável do benefício do VAD completo. A tolerância à dexametasona em esquema intensivo pode ser difícil.
• Dexametasona + Melfalan Combinada com Melfalan proporciona benefício mais rápido do que MP. O uso do Melfalan, em primeiro lugar, lesa as células progenitoras hematopoiéticas.
• Dexametasona + Talidomida Combinada à Talidomida é um novo esquema oral promissor que promove resposta em 70% dos pacientes. A Talidomida ainda é experimental como opção de primeira linha. A neuropatia é um problema. Os benefícios em longo prazo não são conhecidos no momento.
Muitos outros tratamentos são casualmente usados, como Ciclofosfamida e VP-16. As combinações possíveis são:
VBMCP (protocolo M2)
VMCP/VBAP (protocolo SWOG)
ABCM (protocolo UK MRC)
CVAD (transplante de células progenitoras hematopoiéticas)
• Quando consideradas necessárias, estas combinações são abordagens mais agressivas.
• Os sintomas da doença activa podem ser controlados mais rapidamente, e a qualidade da primeira resposta pode ser melhor.
•· Mais efeitos colaterais do que os esquemas mais simples.
• Nenhum benefício adicional a longo prazo.
• Efeitos colaterais podem piorar a qualidade de vida e comprometer a elegibilidade para novos protocolos.

NOVOS TRATAMENTOS
Tratamento
Indicação
Vantagens
Desvantagens
Bortezomib
Bortezomib está indicado no tratamento em monoterapia de doentes com mieloma múltiplo em progressão que tenham recebido pelo menos 1 terapêutica prévia e que já tenham sido sujeitos ou não possam recorrer ao transplante de medula óssea
Bortezomib é o primeiro de uma nova classe de medicamentos chamados inibidores de proteasoma.
É uma nova opção de tratamento para doentes que tenham recaído após outra terapia-padrão
Os efeitos secundários associados ao Bortezomib são manejáveis e previsíveis. Os mais frequentes são a neuropatia periférica e as toxicidades hematológicas (trombocitopenia, neutropenia e anemia. A trombocitopenia transitória ou diminuição dos níveis de plaquetas é a manifestação mais frequente de toxicidade hematológica)


     Mais detalhes sobre as opções de tratamento disponíveis noutras publicações da IMF: Revisão Concisa, Entendendo o Transplante; Entendendo a Talidomida; Mieloma Hoje e outros. Para pedidos, entre em contato com a IMF.

O grau e a velocidade da resposta ao tratamento variam de doente para doente.
Todas as decisões quanto ao tratamento não precisam ser tomadas no primeiro dia.
É sempre bom deixar a porta aberta para um transplante de células progenitoras hematopoiéticas, se acreditar que essa é uma possível opção futura para o seu caso.
Embora haja estudos clínicos de primeira linha, o doente deve sentir-se totalmente confortável com o facto de poder ser randomizado para um ou outro tratamento. Pode ficar ‘excluído’ para randomizações futuras e outros tratamentos. Perceba bem toda a abrangência do protocolo.
Se um tratamento não der certo, não significa que um outro não possa funcionar muito bem e resultar numa resposta excelente.

- Tratamento de suporte

     Estão disponíveis tratamentos para aliviar o impacto físico e emocional da doença. O modo de proceder logo no início do tratamento é tão importante quanto o próprio tratamento de primeira linha.

Sintomas
Tratamento
Comentários
Cansaço e fraqueza devido a anemia
• Transfusão de sangue (concentrado de eritrócitos, pobre em leucócitos e testado para vírus) em caso de anemia profunda.
• Eritropoetina: No caso de anemia leve à moderada
Os tratamentos são simples, costumam ser altamente benéficos e melhoram a sensação de bem estar.
Dor óssea
• Bisfosfonato (p. ex., - pamidronato 90 mg IV por 2-4 horas uma vez por mês).
• Analgésico, se necessário (p. ex., paracetamol, derivado de morfina oral, fentanilo ‘Adesivo contra Dor’)
O alívio da dor óssea é, por si, extremamente importante, assim como melhorar a actividade física, promover a força, a cicatrização óssea e o bem estar emocional.
Febre e/ou evidências de infecção
• Antibióticos adequados
Filgastrim, se necessário, para aumentar a baixa contagem de leucócitos.
• Gamaglobulina intravenosa para infecções graves.
• Devem ser realizados todos os exames necessários
Embora os antibióticos devam ser escolhidos e usados com cuidado, é muito importante que as infecções sejam controladas de imediato. Recomenda-se ter um antibiótico à mão, para ser usado em caso de emergência (principalmente em viagens).

     Além do tratamento de sintomas específicos, vários procedimentos de suporte são muito importantes:
Actividade Física - Os doentes devem perguntar a seu médico se é possível praticar todos os tipos de actividade física ou se é necessário fazer algum ajuste em virtude da doença óssea e das áreas com lesão óssea. Pode ser programado, normalmente, algum tipo de actividade física como caminhada, natação, exercícios de flexibilidade, alongamento e/ou um programa personalizado de ioga.
Dieta - Não há nenhuma dieta especial para doentes com mieloma. Essa área de pesquisa ainda está a ser desenvolvida. Em geral, valem as recomendações de ‘dieta saudável’, seguidas de outras condições como doença cardíaca e cancro, em geral (p. ex., câncer/cancro da mama). O cuidado é maior com:
 
-
Vitaminas - Doses elevadas (isto é, > 1.000 mg/dia - podem ser contra-indicadas em mieloma, pois aumentam o risco de lesão renal.
 
-
Suplementos Vitamínicos e Fitoterápicos - Converse com o seu médico sobre o uso de suplementos durante a quimioterapia ou outro tratamento medicamentoso. Essas interacções são muito comuns e podem resultar em problemas médicos.
Saúde Mental - A sua saúde mental é fundamental, à medida que avança no tratamento planejado. O doente deve estar completamente confortável com o tratamento planificado.
Ter um sono regular - Isso é de importância vital para o seu sistema imunológico.
Fazer adaptações - Diminua ou elimine, tanto quanto possível, o stress no trabalho, na família ou em eventos sociais. O tratamento do mieloma é a sua prioridade número 1, até que seja obtida uma resposta e/ou estabilização da doença.

- O que fazer se o tratamento de primeira linha não estiver a resultar?

     Há diversas opções de tratamento, além das que foram apresentadas neste manual. É cada vez maior o número de novos tratamentos que surgem e que poderão trazer um grande benefício (p. ex., talidomida como ‘tratamento alternativo’, sozinha ou associada a outros medicamentos, pode produzir resposta durante mais de 1-2 anos e permitir a colheita de células progenitoras hematopoiéticas ou de outros procedimentos.

     Estas informações foram retiradas do Manual do Doente IMF 2005, parte do Kit Informativo IMF. Para solicitá-lo gratuitamente, clique aqui.

     Se tiver dúvidas sobre as informações desta página ou sobre qualquer aspecto do mieloma, entre em contacte-nos clicar aqui.


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